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Do que o coronavírus te contaminou?

18/05/2020

Janeiro de 2020. E como de costume, lista de desejos para um novo ano preenchida com sucesso!

 

Março de 2020. Decretada quarentena pelo aumento do número de casos de COVID 19 no Brasil.

 

Pausa…  Como assim? O que tudo isto significa?

 

Pressa… Reinvente-se. Você precisa sobreviver. Apresse-se em descobrir novas formas de viver e se manter saudável e produtivo.

 

E desde então é o que estamos tentando fazer. Nos regular em meio ao bombardeio de informações que invadem nossas casas diariamente. Mas não está fácil. Não está fácil para ninguém, universalmente falando. 

 

Aqui cabem ponderações, pois as desigualdades escancaram que, embora seja um evento universal, não estamos todos no mesmo barco. A tempestade é a mesma, mas cada um está na sua embarcação. E elas são muito diversas….. Ah como são…..

 

Entretanto há uma igualdade nisso tudo. Estamos todos frustrados. Tínhamos planos para 2020: casar, viajar, aprender uma língua, ampliar nossa empresa e fomos pegos de surpresa. Quanto mais alta era nossa expectativa para 2020, maior nossa frustração.

 

E no decorrer das nossas vidas, somos desafiados diariamente a lidar com elas….mas, vamos combinar que este exercício é pesado e exige muita competência emocional.

 

Passamos a vida buscando o desenvolvimento. Buscando cursos, livros e técnicas que nos ajudem a conquistar bens, pessoas, benefícios, vantagens. São lições de vida que vamos adquirindo enquanto aprendemos a ganhar e que em contrapartida precisam nos ensinar a perder. 

 

E a verdade é que esta é a parte mais difícil. Aceitar quando perdemos bens, pessoas, realidades, sonhos.

 

Queremos acreditar que tudo que é bom é para sempre, que de algum jeito as coisas vão dar certo. Mas agora não dá para afirmar que elas estão dando certo.

 

E quando parece que tudo acontece ao mesmo tempo e de repente, ficamos confusos, ansiosos, perdidos.

 

Cada um, à sua maneira, está tentando entender tudo isto, encontrar uma resposta pessoal para este acontecimento e ajustar o propósito de vida em meio a esta realidade. A isto, Viktor Frankl, psiquiatra austríaco que escreveu  “Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração”, chamava de “vontade de sentido”. Afirmou (Frankl, 2005, p.23) que “o homem procura sempre um significado para a sua vida e está sempre se movendo em busca de um sentido de seu viver”. 

 

Este sentido favorece que possamos nos reconciliar com nossa própria vida e com as escolhas que fizemos até aqui.

 

Mas estamos restritos, isolados socialmente. 

 

Nesta situação de restrição o que temos feito? Até este momento, o que este vírus nos trouxe?  Sim! Já estamos todos contaminados.

 

Uns contaminados pelo vírus da solidão, do pânico, da empatia, outros da tristeza, outros da solidariedade, da coragem, da compaixão, da culpa ou até, por todos estes, que se alternam a cada dia, a cada momento… pois tudo isto pode acontecer quase que simultaneamente, o que ainda pode ser considerado normal diante este cenário.

 

Ninguém sai ileso de uma pandemia, todos são afetados. Todos pensamos, durante esta quarentena, pelo menos uma vez no nosso processo de vida e morte. Na finitude da vida. No que fizemos até aqui e no como seremos lembrados pelas próximas gerações que vão contar a história deste século 21.

 

Estamos morrendo de saudade da vida que levávamos, dos passeios que fazíamos, das pessoas, família e amigos com as quais convivíamos, da  nossa liberdade de ir e vir.

Saudade de morrer de rir nas festas e nos encontros!

E assim a vida, numa brincadeira feita em trocadilhos, nos apresenta a possibilidade de escolha. 

E teremos outras escolhas a fazer. Com quem quero seguir pós pandemia? Com o que estava perdido dentro de casa, dentro de mim?  Um eu transformado por este vírus? Ou com aquela pessoa que eu era antes de tudo isso acontecer?

 

Eu escolho morrer de amor e de gratidão pela superação desta fase difícil, valorizando a oportunidade que a vida há de me dar de rever conceitos e posturas, dando ainda mais valor ao que é realmente essencial: a saúde. Quando a saúde se esvai, esta sim, muito pouco valorizada perto das outras dimensões do ser humano, é que contemplamos pela primeira vez a possibilidade de nossa real finitude. E é por causa dessa perda que conseguimos olhar para o que realmente importa nesta existência.  

 

Nunca fomos tão convidados a mantermos a esperança em dias melhores, a sermos positivos e firmes em relação às adversidades da vida.

 

Quero levantar todos os dias acreditando que a vida não nos faltará.

 

E você? 

 

Renata de Almeida Libretti – Orientadora Educacional da Escola Verde.

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